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Nota

Sandino 1990 Miguel Tinttím

3 jan

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Filme de Miguel Tinttím que retrata sobre o maior lutador da América Latina, la lucha siegue.

Torrentinho

magnet:?xt=urn:btih:cf7334937a36e5491283829f4db4cb974fd4f505&dn=Sandino%20%28Miguel%20Littin-1990%29.avi&tr=http%3A%2F%2Ftracker.openbittorrent.com%2Fannounce&tr=udp%3A%2F%2Fopen.demonii.com%3A1337

https://kickass.so/sandino-1990-t3896108.html

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Pão e Diversões

9 nov

Le Libertaire

Pão e Diversão

“Nasci sobre esta terra; exijo a admissao em todos os trabalhos que nela se exercem, a garantia de usufruir do fruto de minha labuta; exijo o adiantamento dos instrumentos necessários para exercer esse trabalho e da subsistência em compensação ao direito de roubo que a simples natureza me deu” (Charles Fourier, Associação doméstica e agrícola, 1822).

Aí está perfeitamente esquematizada a solução econômica, entretanto, ela está longe de esgotar o problema.
“Sendo o objetivo conduzir inicialmente ao luxo … preciso que a educação conduza ao trabalho produtivo; ela só pode conseguir isso fazendo desaparecer uma tarefa bem vergonhosa para a civilização, e que não se encontra entre os selvagens: é a grosseria e a rudeza das classes inferiores, a duplicidade de linguagem e de modos, Esse vício pode ser necessário entre nós, em que o povo, esmagado por privações, sentiria muito vivamente sua miséria se fosse educado c culto; mas, no estado societário em que o povo gozará de um mínimo, superior ao destino de nossos bons burgueses, não será necessário embrutecê-lo para modela-lo a sofrimen-
tos que não mais existirão” (Charles Fourier, mesma obra), Eis, portanto, retirada toda ambigüidade. Em sociedade liber~
leiria, o trabalho prúdutiva exigirá o refinamento dos costumes o do pensamento, O que será, portanto, esse trabalho?
Antes de mais nada, sabemos que, bem compreendido c bem repartido, ele poderia ser desde já reduzido a um curtíssimo tempo de serviço cotidiano para cada indivíduo. O automatismo robótico que cria, em regime capitalista, os flagelos do desemprego e da superprodução não deve oferecer a cada homem, além do direito ao trabalho, senão o direito a preguiça. Além disso, esse trabalho, liberado da exploração patronal e das condições impostas por um produtivismo de curta visão, reduz, na maioria das vezes, a simples vigilância das máquinas, as quais o operário, homem culto, conhecerá, a exemplo do antigo artesão, tão perfeitamente a vida íntima quanto 0 manejo prático – esse trabalho, tornado de novo atividade normal como 0 beber e o comer, será não apenas uma necessidade social, mas igualmente individual. Em outras palavras, o trabalho não mais será essa perpétua escravização que a religião justifica enquanto “castigo divino”.

Nessa perspectiva, certas atividades consideradas ainda hoje pela maioria como irremediavelmente reservadas a uma minoria, vão encontrar uma nova fórmula. Refiro-me à pesquisa científica e à criação artística. O luxo do qual fala Fourier, deve ser, no domínio do espírito bem como na prática, acessível a todos. É o que deveria explicar, cem anos após o autor da Associação doméstica e agrícola, a interrogação feita pelos surrealistas: “O surrealismo é o comunismo do espírito?”.

Supondo que, sob regime hierárquico, Newton, “se ele tivesse sido marinheiro ou mineiro… não teria descoberto a lei da gravitação universal” (Gaston Lcval, Estudos Anarquistas, n 6), a sociedade libertária devera, ao contrário, dar a todos o tempo livre para ver as maçãs caírem e extrair desse fato tais conclusões que lhes aprouver – e nisso consistirá sua grande vitória.

Em corolário à redução maciça das horas de trabalho, assistiremos à multiplicação das possibilidades de satisfazer
a necessidade de conhecimento inerente a cada um dos que não tinham anteriormente tempo livre para isso. E podemos
pensar que a acessibilidade da criação artística e poética a todos estaria longe de ser um empobrecimento: basta consta-
tar o declínio da canção popular nas mãos dos “profissionais”.

Na realidade, é a aplicação do novo regime que apresenta os problemas mais árduos, sendo os períodos de transição os mais  difíceis. Trata-se, para resultar na situação que acabo de evocar, de partir de uma organização (se se pode assim dizer) onde as massas populares estão, em geral, insensibilizadas e esterilizadas por um feixe de demagogias contraditórias em seus meios, senão em seu fim, enquanto a atividade mental, que deveria ser para todos o essencial, encontra-se monopolizada por alguns especialistas raramente desinteressados.

Não se deve, durante o período de reorganização política e econômica, que requer uma atividade intensa por parte de
todos, negligenciar um único instante a delicada tarefa de restabelecer em todos os seus direitos a consciência indivi-
dual. O exemplo de Barcelona (l936) provou-nos que nada impede, em período revolucionário, o desenvolvimento das
escolas e das universidades populares. É preciso ainda que o ensino ministrado não o seja ao acaso: sabemos muito bem
que o falso conhecimento é pior do que a ignorância, e pensamos de bom grado que uma consciência mais clara das
necessidades profundas do homem, considerado como um lodo vivo, cujos princípios materiais e espirituais não cessam
de reagir uns sobre os outros, teria evitado vários erros de julgamento fatais aos revolucionários do passado.

Eis por que pensamos que toda propaganda revolucionária será ineficaz se ela limitar-se ao domínio social e econômico: a reivindicação humana deve estender-se para bem além do pão e do vinho cotidianos como, apesar de tudo,

Guy Doumayrou
9 de novembro de 1951

O Sonho e a Revolução

26 out

O SONHO E A REVOLUÇÃO

J can Schuster
Le Libertaire, 26 de outubro de 1951

O sonho nao é o contrário da realidade. Ele é um aspecto
real da vida humana, assim como a ação; e um e outra, bcm
longe de excluirem-se, completam-se, Todavia, este aspecto,
neglicenciado ou voluntariamente relegado ao plano das su-
perstições perigosas pela civilização atual (a das casernas,
das igrejas e das delegacias) contém os fermentos de revolta
mais violentos por serem os mais profundamente humanos.
Compreende-se que a vontade de obscurantismo dos mes-
tres-penradores seja sempre manifestada por um desprezo
total em relação ao sonho. Sua inteligência limitou-se a
tolerar (e talvez a favorecer) a difusão das “Chaves dos So-
nhos”, obras desnaturadas, de caráter puramente supersti-
cioso, fantasioso ou idiota. Mas os povos que o odioso bom
senso europeu obstina-se em denominar “primitivos” (primi-
tivos porque nunca conhecerão os segredos da bomba atô-
mica, ou simplesmente da hipocrisia diplomática) concedem
ao sonho um lugar de primeiro plano,
Freud, desvelando o mecanismo do sonho, interpre-
tando-o, demonstrou que ele constituía o perfeito revelador
das tendências e dos desejos mais secretos do homem. Sabe-
se agora que não existe sonho gratuito, que pelo simplcs fato
de sonhar o homem muda seu destino, mesmo que essa mu-
dança permaneça impereeptível. Desperto, o homem apre-

ende do mundo o que sua razao e seus sentidos bem quiserem
deixar-lhe aperceber, isto é, uma íntima parte do que real-
mente é; em sonho, os objetos, os sentimentos, as relações
mais audaeiosas tornam-se-lhes lícitas, familiares. Desceu ao
coração de si mesmo, ao coração das coisas.
Isto e válido tanto para as coletividades quanto para os
indivíduos. Se o sonho é a expressão do desejo, se a expli-
cação de um pode preludiar. numa certa medida, a realização
do outro, o maior desejo coletivo e a revolução. G.C. Lichten-
berg lamentava que a história fosse feita unicamente da nar-
rativa dos homens despertos. Quando, numa noite, todos os
explorados sonharem que é preciso acabar e como acabar
com o sistema tirânico que os governa, aí então, talvez, a
aurora surgirá em todo o mundo, sobre barricadas.

Animação, a bebida da alma

3 set

Um poema simples

Como Iniciar Uma Revolução segundo Gene Sharp

6 jul

Divagações em torno de uma antiga epifania

28 jun

Escrito e editado por Uriah Felipe

Nota

O Fazendeiro que se transformo em bicho após a morte.

8 jun

O FAZENDEIRO QUE SE TRANSFORMOU EM BICHO APOS A MORTE
Autor Juvenal dos Santos
Pra escrever um poema
A mente tem que está boa
E enquanto a mão escreve
O pensamento já voa
Buscando o que é preciso
As palavras que utilizo
No lugar que a rima soa.

Pega ali ó juvenal-dos-santos-fazendeiro-mosntro

E em iso 8859-1 juvenal-dos-santos-fazendeiro-mosntro-iso-8859-1

Curiosidade nerd, esse texto foi usado para textar a capacidade de reconhecimento ocr com o tesseract. O procedimento usado fora, escanear o texto com o xsane em 150 dpi que foi a resolução minima, em testes, resoluções com mais de 600 dpi atrapalharam no reconhecimento, então optei por 150 dpi ao invés de 200 ou 300 , por questão de espaço e uma vez que o reconhecimento não mudou com boas resoluções. Depois de escaneado usei o frontend do tesseract um progama chamado gimagereader para reconhecimento do texto, que facilita bem o trabalho. Tive que corrigir o fonema “fi” ao invés de “fi” a letra latina. Também  a aspa ” por “. Depois de extraído e reconhecido o texto, optei por passar para pdf, para não perder a métrica da poesia. Usei o programa u2ps que converte de utf8 para postscript, embora o linux possua leitores tanto pdf como ps, optei por usar pdf por ser um formato aberto também, que me levou a uma segunda conversão usando o programa ps2pdf  que vem junto com o ghostscript. Não houve perca de dados. O Segundo arquivo foi convertido o texto de utf8 para iso-8859-1 usando o iconv e depois usei o a2ps que também oferece saída para pdf. Por fim podemos comparar os resultados. Todos esses são programas livres, e podem ser baixados, e instalados sem remorsos, no arquivo tem o contato com o autor.

Boa leitura.

Ultimatum – Álvaro de Campos

2 jun

A Substituição dos Corvos

23 maio

A SUBSTITUIÇÃO DOS CORVOS

Através das revoluções, abaixo das controvérsias ideológicas, na própria sombra das palhaçadas políticas, vemos que o poder passa lentamente – com segurança – da pena empoada à pena empoeirada. Assim como a Igreja, senhora das consciências, foi senhora do mundo, governando príncipes e súditos, uns pelos outros, hoje, uma nova classe surgiu, homens que não comandam, mas que, entretanto, dirigem, detrás de suas mesas, para onde tudo vem e de onde tudo repartc. Sucessores da Igreja, levados ao poder pela Máquina, possuem desta última a desconcertante faculdade – filha da longa política de obscurantismo seguida pela primeira ~ de terem nascido escravos e viverem como tiranos.

Como se sabe, o maquinismo deveria gerar a Idade de Ouro: a liberação econômica que ele prometia só beneficiou os chatins. As profecias dos filósofos generosos foram desmentidas e a divisão social tão bem mantida pela Igreja mudou de forma mas não desapareceu, tamo é verdade que uma alteração econômica não acarreta necessariamente uma alteração proporcional dos costumes. As primeiras máquinas-ferramentas foram quebradas pelos operários porque eram instrumentos de opressão, elas ainda o são, hoje, mas apareceu de novo o fato, ao final de um longo século dc experiências trágicas, segundo 0 qual, progresso técnico, sc não suprime o poder, torna-o impessoal.

As democracias capitalistas, as tecnocracias, as ditaduras tendem sempre para a burocracia; os grandes dirigentes acabam sendo totalmente escravos das engrenagens administrativas por eles criadas. Uma evolução segue seu curso através dos mais cruéis sobressaltos da história: a consciência, atacada pelas perfídias da moral cristã, encontra-se cada vez mais cercada, perseguida, ameaçada hoje de morte por um regime cuja ambiçao é transformar 0 mundo num mecanismo tão perfeito que o pensamento nele seja inútil.

Para se tornar senhor do determinismo histórico, para abolir o acaso, combate-se na própria fonte das ações imprevisíveis: apersonalidade individual. As desigualdades e as dependências econômicas, as políticas e as censuras permanecendo à mercê do espírito genial que, do exílio, onde uma sociedade hostil o condena, consegue uma penetração fulgurante e revigora a chama da revolta, a poesia, o amor, que por atos de pura loucura quebram todas as cadeias, devem ser abolidas, não apenas em suas manifestações, mas até mesmo como desejos. É a que se dedicam aqueles que submergcm a imaginação dessas pin-ups sem sexo e sem cérebro que acabariam por desviar de seu próprio objeto o desejo erótico; os pedagogos, cujo ensinamento sufoca a curiosidade desde  suas primeiras tentativas; os arquitetos, que já começam a limitar as paisagens dessas fachadas brancas e monótonas como páginas de livros contábeis, quadro perfeito de uma vida reduzida a leis estatísticas; os psiquiatras, que fazem de uma ciência de liberdade, a psicanálise, um instrumento de submissão, e tantos outros… citemos apenas de memória a literatura, a imprensa, o rádio, 0 cinema, quase inteiramente ocupados em aumentar de efervescências estéreis os espíritos e se resignam pouco a pouco à esclerose.

Vê-se muito bem que os protestos que se levantam de V dos os lados, limitados, rcstringidos, se eles estremecem ou  mesmo derrubam as velhas estruturas, e ainda que denunciem em todos os lugares a burocratização, não impedem esta de progredir sobre uma frente contínua, ameaçadora como uma fatalidade.

É certo que a liberação econômica é condição necessária para a liberação moral, mas isso não significa em absoluto que seja condição suficiente. No ponto em que estamos é muito fácil conceber um mundo onde, ao preço do conformismo mais absoluto, isto é, da mais completa indiferença intelectual e moral, o conforto material, felicidade perfeitamente entediante, seria acessível a  todos.

A liberdade, que é poesia, que é amor, exaltação das aspirações mais profundas do ser, ampliando indefinidamente 0 conhecimento e o desejo de conhecimento, só sobreviverá às catástrofes que nos prometem, se a revolta, não se deixando represar pelos obstáculos da necessidade imediata, levantar simultaneamente todas as colunas do templo.

Notas:
1 Testemunho de um cientista: “É em vão que se procuraria nestas (nossas
universidades) um curso que coloque o estudante avançado em contato
com um único dos grandes problemas que enumeramos; os próprios ele-
mentos sao lá muito amiúde ensinados de tal maneira que 0 estudante tem
tudo para reaprender se quiser ir mais longe; a extrema rigidez de um
mandarinato fundado sobre instituições acadêmicas obsolctas faz com
que toda tentativa de renovação, se ela não permanece puramente vcrbal.
pareça destinada ao fracasso” (André Weil, em Les grands courants
la pensée mathématique, apresentados por Le Lionnais, p. 318).

2 “Ciência da liberdade” porque, muito mais seguramente que as ciências
da matéria, a psicanálise se mostrou em condição de denunciar a hipo-
crisia das morais tradicionais.

Journal Le Libertaire

Gerard Legrand

15 de Fevereiro de 1952