Tag Archives: ambiente

Agroenergia e Ideologia

13 fev

Atualmente dois assuntos relacionados vem ocupando lugar absoluto destaque na mídia e na política em todo o mundo: aquecimento global e ‘biocombustíveis’. Não se trata aqui de discutir o fato evidente da mudança do clima que ameaça toda a vida do planeta nem a necessidade da humanidade buscar fontes de energia não destruitivas. Porém, é importante compreender como se articula o conteúdo ideológico deste par de conceitos que vem redesenhando: o discurso do poder dominante; o horizonte da política internacional; e, acima de tudo, liberando as estratégias de reprodução do capitalismo na transição para uma sociedade pós-petróleo.

Energia: soberania X segurança

Em primeiro lugar, um esclarecimento conceitual.

Seguindo o acúmulo da discussão  entre os movimentos sociais, os ‘biocombustiveis’ devem ser corretamente chamados de agracombustíveis, pois integram o universo do agronegócio enquanto projeto político hegemônico sobre nossos territórios e recursos naturais. Além disso, a opção por BIO-qualquer-coisa é apelativa, assim como a idéia geral de ‘ECO’ , ‘renovável’, ‘verde’, ‘limpa’, etc.; o ambientalismo de mercado não perde tempo em fixar sua terminologia nas mentes e corações, entre as quais, de muitos que se consideram ‘de esquerda’. Parece que há temos bastante claro, há algum tempo, que não existe capitalismo ‘sustentável’. A ‘sustentabilidade ‘ (infelizmente, pois foi e ainda é para muitos uma referência) já foi aprovada ideologicamente; entre praticamente todas as grandes empresas que tem suas ações de sustentabilidade, basta conferir que a empresa Aracruz  Celulose está, pelo terceiro ano consecutivo, na seleta lista de empresas do ‘Índice Dow Jones de Sustentabilidade’, 2007, que destaca as melhores práticas em ‘sustentabilidade corporativa’ no mundo. Os já bem conhecidos ‘critérios’ ou ‘indicadores’ de sustentabilidade, na verdade servem ainda para sustentar a falida lógica das “certificações”, por exemplo, entre tantos outros instrumentos de mercado que se apresentam para resolver questões que são políticas. Até que ponto é viável e se justifica disputar ainda o conteúdo do termo ‘sustentável’ ?

Como vemos, a disputa de visões de mundo se trava (também) no discurso e na rapidez com a qual os conceitos são apropriados.

No que interessa aqui, a FAO e os governos vem utilizando a defesa da ‘segurança energética‘ para promover os agrocombustíveis, editar leis de mistura obrigatória progressiva e justificar politicamente frente a sociedade estas medidas como ‘combate à mudança do clima’. Ainda que esta estratégia tenha um impacto massivo sobre terras agriculturáveis e a água, principais recursos para garantir a soberania alimentar dos povos, esta agenda esta sendo decidida em todo o mundo à margem de um amplo debate para a sociedade. Afinal, trata-se de garantir, a ‘segurança energética‘.

agroenergia1

No caso do Brasil, onde os agrocombustíveis se apresentam como um projeto de Estado, a promoção da agroenergia vem unificando o discurso dos vários setores e ministérios do governo do sob o controle e coordenação central da Casa Civil, pois ‘energia’, dizem, é assunto de ‘segurança nacional’. Podemos vislumbrar quão sérias podem vir a ser as consequências desta definição conceitual, quando a tutela sobre massivas extensões de terra para agroenergia fica comprometida não mais com a produção de alimentos para um povo, mas com a ‘segurança energética‘ nacional. Ainda mais quando está deverá servir para garantir a reprodução do agronegócio, que vem se consolidando, inconteste, como o projeto político e territorial hegemônico no Brasil.

Construir um conceito de Soberania Energética é fundamental para dialogar com o restante da sociedade: em que termos vamos apresentar uma proposta para disputar o desafio de gerar energia em tempos de aquecimento global e pico do petróleo e ao mesmo tempo garantir a soberania alimentar e resistir ao agronegócio?

Na Via Campesina, há mais de uma década, 1996, desenvolveu o conceito de “Soberania Alimentar” exatamente para apresentar um contradiscurso e um conteúdo político oposto à noção oficial da FAO de “segurança” alimentar e de como as negociações em torno ao comércio agrícola na OMC incidam sobre o direito à auto-determinação dos povos. Pelo indicativo, da mesma forma, é preciso elaborar em que consiste a lógica da nossa Soberania Energética.

Os agrocombustíveis ( e a agroenergia ) expressam em síntese um novo momento estrutural de relação entre capitalismo e agricultura, como já ocorreu antes: com o planejamento e a execução da Revolução Verde; com a privatização e a concentração do setor de sementes nas últimas décadas do século XX; com a institucionalização do marco legal da propriedade intelectual; do patenteamento sob o controle por algumas transnacionais através da disseminação da ‘biotecnologia’; com os transgênicos; com a ‘evolução’, hoje já práticamente naturalizada da agri-cultura para o agro-negóxio, no controle e integração de toda a cadeia produtiva, desde o campo.

Hoje, para suprir a demanda global de energia ‘renovável’ para a reprodução do capital é fundamental o controle de sua base territorial (em terras agriculturáveis tropicais). Neste quadro, a ‘vantagem’ do America Latina ( e do Brasil), como defendem alguns nacionalistas, é a condição de continente tropical, a qual a história ensina, serviu até hoje para condenar nossos povos e ecossistemas ao saqueio e à pilhagem colonial, desde as plantations até as modernas monoculturas biotecnológicas do agronegócio de hoje.

Se os agrocombustíveis estão promovendo novas relações de dependência e subordinação e implicando uma nova  Continue lendo

A Revolução dos Cocos – BRA

22 jan

A Revolução dos Cocos relata a luta do povo de Bougainville (ilha do pacífico anteriormente pertencente a Papua Nova Guiné) contra a mineradora inglesa multinacional Rio Tinto Zinc, e depois por sua independência. Os moradores da ilha expulsaram, pelo uso da sabotagem, a mineradora, depois expulsaram o exército de Papua, e depois o exército da Austrália, depois mercenários contratados. Sofreram um cerco de 7 anos,  sua população é de aproximadamente 150 mil.

Sobre embargos economicos, que inviabiliza a compra de produto com as nações vizinhas, os moradores da ilha inventaram meios alternativos para sobreviverem (energia elétrica, combústivel, comida, remédios…) tudo a partir de cocos.

Sobre a medicina, e como a necessidade é a mãe da invenção, (re)descobriram suas soluções pela terra, conseguindo curar, malária, lepra, apendicite, através de ervas, técnicas de manejo e massagens.

Também é louvável sua forma de ação, seguindo a luta se eles vem com balas, nós vamos com paus e pedras, foi o que fizeram lutaram com flechas e armas manuais inventadas por eles, tomaram os rifles das forças contrarrevolucionaras e transformaram em arma de não fogo.

Todo o resgate da humanidade através de sua própria competência, o motivo a Natureza.

Hidroelétricas no Rio Madeira: Energia para que e para quem?

15 jun

Extraído da Revista do Movimento Atingidos por Barragens.

Águas para vida não para morte!

Capa Revista MAB

Segunda Edição

 

Baixem a revista na integra:

MAB2ED2007

A construção de centenas de barragens no
Brasil está relacionada com o interesse
de grupos econômicos nacionais e estrangeiros,
as chamadas multinacionais. Diante da crise
mundial de energia esses gmpos buscam domi-
nar, a todo custo, todas as fontes energéticas, além
dos rios, água, minérios, terras e biodiversidade.
Em síntese, poderiamos dizer que a construção
de hidrelétricas no Brasil atende aos interesses e
às exigências do imperialismo.

O problema principal no campo da ener-
gia e que os “paises centrais”, ditos ricos e de-
senvolvidos, são os maiores consumidores de
energia do mundo. Os Estados Unidos, os paí-
ses da Europa (Alemanha, França, Inglaterra,
Espanha, etc) e o Japão são “ricos em dinheiro
mas pobres em petróleo”, poderíamos dizer ain-
da, pobres em energia, em rios, em água, em
minérios e em terras fórceis. Nestes paises, as
indústrias, a maioria das máquinas, o transpor-
te e, inclusive, a geração de energia elétrica,
funcionam a base de petróleo, por isso são
“petrodependentes”.

Os Estados Unidos possuem 6% da popu-
lação mundial, consomem 30% do petróleo, 35%
da eletricidade mundial e produzem apenas 10%
daquilo que consomem. Na energia elétrica, en-
quanto no Brasil o consumo médio por pessoas
é de 1.934 quilowatts-hora/ano, nos Estados
Unidos, este consumo é de 13.066 kwlúano.

Mundialmente, o petróleo tem sido a prin-
cipal fonte de “energia liquida” utilizada pelo
conjunto da humanidade. A chamada energia lí-
quida possui como caracteiistica, a facilidade
no seu transporte, permitindo abastecer regiões

deficitárias. São diversas formas possíveis de
transporte, podendo ser terrestre (em tanques de
combustível), marítima (em navios cargueiros),
ou até transporte aéreo.

No entanto, 0 petróleo e’ parte do conjunto
das fontes energéticas denominadas de “energia
fóssil”, que levou milhões de anos para se formar
e, ao ser consumido, suas reservas não se reno-
vam. Além do petróleo, o gás natural e 0 carvão
mineral são de mesma origem. As reservas mundi-
ais de petroleo estão se esgotando ou se tomando
de dificil acesso, passando ser cada vez mais caro,
em menor quantidade e de pior qualidade.