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Enfoque Petrobras

10 set

Um grande movimento nacionalista brasileiro foi a campanha: “O Petróleo é nosso!”. Pode-se dizer que vinha desde a guerra européia, que demonstrara como o petróleo se tornara essencial para a sustentação da luta. Mas existe no Brasil desde a criação do Conselho Nacional do Petróleo, sob o comando do General Horta Barbosa. Daí por diante o esforço se traduziu num trabalho de persuasão, e de conquista da opnião, até chegar à criação da Petrobrás, como monopólio do Estado (1953). Nessa londa batalha, começamos a compreender que havia petróleo no Brasil, não obstante a campanha sistemática dos técnicos estrangeiros. E os recursos começaram a crescer, para nos proporcionar as refinarias que precisavámos, os eleodutos, a frota de petroleiros, tudo à custa de capitais nacionais e sob direção nacional. Cresceu tanto a PETROBRÁS, que começou a exercer uma função insuspeitada, quando apareceram os diretores, que talvez trouxessem no bolso ordens ou recomendações para supressão da autarquia. E que invez de destruí-la, sentiram-se conquistados pela causa que ela representava e passaram a lutar pela sua expansão.

Mas para chegar a esse ponto, quanto sacríficio suportado! E prisões, e cadeia para responder pelo crime de procurar dar ao Brasil as armas de que ele precisava para sua defesa e desenvolvimento. E aí está a PETROBRÁS triunfante, entre as grandes empresas do mundo. Como falar, em relação a ela, e ao Brasil, em nacionalismo negativo? Haverá quem hoje tenha dúvidas de que a Petrobrás é uma das forças mais positivas do desenvolvimento brasileiro?

 

Barbosa Lima Sobrinho, O enfoque histórico do desenvolvimento ecônomico, 1995, Em Defesa do Interesse Nacional, Editora paz e terra.

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Gás do Xisto, por trás dos bastidores mais que a dúvida.

19 nov

Gás do Xisto, por trás dos bastidores mais que a dúvida.

A Agência Nacional do Petróleo –  ANP – anunciou a decisão de incluir o chamado “Gás de Xisto”, obtido por fraturamento da rocha (shale gas fracking), classificado como “gás não-convencional”, na licitação, realizada em outubro, tem como alvo campos de gás natural em bacias brasileiras, o leilão da 12ª Rodada está marcado para os dias 28 e 29 de novembro e ofertará 240 blocos exploratórios em sete bacias sedimentares, nos estados do Amazonas, Acre, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Maranhão, Paraná, São Paulo, em mais de 168 mil quilômetros quadrados.

O método para o extrair, apelidado de “fraturação”, é controverso. A exploração do Gás de Xisto, apesar do sucesso econômico apresentado principalmente pelos Estados Unidos como “a Revolução do Xisto”, tem sido muito questionada pelos riscos e danos ambientais envolvidos. Enquanto o gás natural e o petróleo ocorrem em rochas porosas ou fraturadas, o gás de xisto impregna toda uma rocha ou formação geológica impermeável.

A técnica utilizada é a perfuração horizontal, a três quilômetros de profundidade, chamada de fratura hidráulica, a extração é iniciada quando injetam nos tubos, a alta pressão, milhões de litros de água misturada com químicos, para puxar o gás de xisto das rochas em direção à superfície.

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  É preocupante os altíssimos volumes de água que resultam poluídos diversos compostos e metais presentes na rocha, nos explosivos e nos próprios aditivos químicos requeridos pela complexa atividade de mineração do gás, exigindo dispendiosas técnicas de purificação e de descarte dos resíduos finais. E ainda mais, o que será feito da água contaminada, haverá um tratamento específico para ela?

Existem claras evidências da penetração nas águas que se infiltram entre RS e SC,  além da presença de óleo antigo em fraturas do sistema Aquífero Serra Geral, essa impregnação que ocorre se mostra como um “vazamento” aéreo por dentro das rochas.

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O  Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE 2012—2021, lançado

em janeiro, procura tirar partido da abundância de petróleo e gás natural encontrado no território nacional. No entanto o gás do xisto não é sequer citado no plano 2012-2021, a pergunta é por que tanta pressa na extração do gás, quais legislações protegem o meio ambiente, quais os impactos sociais que serão levados em conta, esses questões ainda não temos respostas.

Muitos desafios estão colocados, a continuidade da economia global altamente dependente do sistema energético, por sua vez exige uma regulamentação para seus tributos, e políticas aplicadas.

A água tem um papel fundamental no uso da extração do gás de xisto, e por ela ser contaminada, ela será reutilizada, mas até que ponto? E para onde vai essa água quando for descartada? Ela interferirá nas nascentes e fontes subterrâneas, certamente, ainda mais, e o acesso dos povos à água? Nenhuma legislação tratará disso após os leilões! Outra coisa, todo o xisto se encontra sobre os aquíferos …

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Soberania, a gente não se vê por aqui.

Referência Bibliográfica:

Este texto é uma adaptação dos seguintes artigos:

22 empresas mostraram interesse na 12ª rodada, diz ANP

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/10/22-empresas-mostraram-interesse-na-12-rodada-de-petroleo-diz-anp.html

O polémico, arriscado e lucrativo gás de xisto

http://pt.euronews.com/2012/11/02/o-polemico-arriscado-e-lucrativo-gas-de-xisto/

CEDES – CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS DA CÂMARA FEDERAL – Prof. Dr. Luiz Fernando Scheibe – Brasília, 05 de junho de 2013, no DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

What is shale gas and why is it important?

http://www.eia.gov/energy_in_brief/article/about_shale_gas.cfm

Todos foram acessados em novembro de 2013, o artigo também foi adaptado na mesma data.