Tag Archives: impacto ambiental
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Como Acabar com uma comunidade de 140 anos em 15 dias?

19 set

 

Ayua y energya no son mercancias!

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Encontro Nacional dos Atingidos e Atingidas por Barragens

17 set

1º Encontro Nacional dos atingidos

Rios de caminhos e solidão

30 abr

Os Sem Rios

Link Source OS Sem Rios

Não deixem morrer meu rio,
Me ajudem por favor!
O biguá que mergulhava, já morreu
Água pé não dá flor

rio-parana

Agroenergia e Ideologia

13 fev

Atualmente dois assuntos relacionados vem ocupando lugar absoluto destaque na mídia e na política em todo o mundo: aquecimento global e ‘biocombustíveis’. Não se trata aqui de discutir o fato evidente da mudança do clima que ameaça toda a vida do planeta nem a necessidade da humanidade buscar fontes de energia não destruitivas. Porém, é importante compreender como se articula o conteúdo ideológico deste par de conceitos que vem redesenhando: o discurso do poder dominante; o horizonte da política internacional; e, acima de tudo, liberando as estratégias de reprodução do capitalismo na transição para uma sociedade pós-petróleo.

Energia: soberania X segurança

Em primeiro lugar, um esclarecimento conceitual.

Seguindo o acúmulo da discussão  entre os movimentos sociais, os ‘biocombustiveis’ devem ser corretamente chamados de agracombustíveis, pois integram o universo do agronegócio enquanto projeto político hegemônico sobre nossos territórios e recursos naturais. Além disso, a opção por BIO-qualquer-coisa é apelativa, assim como a idéia geral de ‘ECO’ , ‘renovável’, ‘verde’, ‘limpa’, etc.; o ambientalismo de mercado não perde tempo em fixar sua terminologia nas mentes e corações, entre as quais, de muitos que se consideram ‘de esquerda’. Parece que há temos bastante claro, há algum tempo, que não existe capitalismo ‘sustentável’. A ‘sustentabilidade ‘ (infelizmente, pois foi e ainda é para muitos uma referência) já foi aprovada ideologicamente; entre praticamente todas as grandes empresas que tem suas ações de sustentabilidade, basta conferir que a empresa Aracruz  Celulose está, pelo terceiro ano consecutivo, na seleta lista de empresas do ‘Índice Dow Jones de Sustentabilidade’, 2007, que destaca as melhores práticas em ‘sustentabilidade corporativa’ no mundo. Os já bem conhecidos ‘critérios’ ou ‘indicadores’ de sustentabilidade, na verdade servem ainda para sustentar a falida lógica das “certificações”, por exemplo, entre tantos outros instrumentos de mercado que se apresentam para resolver questões que são políticas. Até que ponto é viável e se justifica disputar ainda o conteúdo do termo ‘sustentável’ ?

Como vemos, a disputa de visões de mundo se trava (também) no discurso e na rapidez com a qual os conceitos são apropriados.

No que interessa aqui, a FAO e os governos vem utilizando a defesa da ‘segurança energética‘ para promover os agrocombustíveis, editar leis de mistura obrigatória progressiva e justificar politicamente frente a sociedade estas medidas como ‘combate à mudança do clima’. Ainda que esta estratégia tenha um impacto massivo sobre terras agriculturáveis e a água, principais recursos para garantir a soberania alimentar dos povos, esta agenda esta sendo decidida em todo o mundo à margem de um amplo debate para a sociedade. Afinal, trata-se de garantir, a ‘segurança energética‘.

agroenergia1

No caso do Brasil, onde os agrocombustíveis se apresentam como um projeto de Estado, a promoção da agroenergia vem unificando o discurso dos vários setores e ministérios do governo do sob o controle e coordenação central da Casa Civil, pois ‘energia’, dizem, é assunto de ‘segurança nacional’. Podemos vislumbrar quão sérias podem vir a ser as consequências desta definição conceitual, quando a tutela sobre massivas extensões de terra para agroenergia fica comprometida não mais com a produção de alimentos para um povo, mas com a ‘segurança energética‘ nacional. Ainda mais quando está deverá servir para garantir a reprodução do agronegócio, que vem se consolidando, inconteste, como o projeto político e territorial hegemônico no Brasil.

Construir um conceito de Soberania Energética é fundamental para dialogar com o restante da sociedade: em que termos vamos apresentar uma proposta para disputar o desafio de gerar energia em tempos de aquecimento global e pico do petróleo e ao mesmo tempo garantir a soberania alimentar e resistir ao agronegócio?

Na Via Campesina, há mais de uma década, 1996, desenvolveu o conceito de “Soberania Alimentar” exatamente para apresentar um contradiscurso e um conteúdo político oposto à noção oficial da FAO de “segurança” alimentar e de como as negociações em torno ao comércio agrícola na OMC incidam sobre o direito à auto-determinação dos povos. Pelo indicativo, da mesma forma, é preciso elaborar em que consiste a lógica da nossa Soberania Energética.

Os agrocombustíveis ( e a agroenergia ) expressam em síntese um novo momento estrutural de relação entre capitalismo e agricultura, como já ocorreu antes: com o planejamento e a execução da Revolução Verde; com a privatização e a concentração do setor de sementes nas últimas décadas do século XX; com a institucionalização do marco legal da propriedade intelectual; do patenteamento sob o controle por algumas transnacionais através da disseminação da ‘biotecnologia’; com os transgênicos; com a ‘evolução’, hoje já práticamente naturalizada da agri-cultura para o agro-negóxio, no controle e integração de toda a cadeia produtiva, desde o campo.

Hoje, para suprir a demanda global de energia ‘renovável’ para a reprodução do capital é fundamental o controle de sua base territorial (em terras agriculturáveis tropicais). Neste quadro, a ‘vantagem’ do America Latina ( e do Brasil), como defendem alguns nacionalistas, é a condição de continente tropical, a qual a história ensina, serviu até hoje para condenar nossos povos e ecossistemas ao saqueio e à pilhagem colonial, desde as plantations até as modernas monoculturas biotecnológicas do agronegócio de hoje.

Se os agrocombustíveis estão promovendo novas relações de dependência e subordinação e implicando uma nova  Continue lendo

Grande Hidroelétrica do Tucuruí

13 out

A hidrelétrica de Tucuruí oferece valiosas lições para melhorar a tomada de decisões sobre grandes obras públicas na Amazônia e em outros lugares. Junto com os impactos sociais, os custos ambientais do projeto são significativos. Custos monetários incluem os custos de construção e de manutenção, e os custos de oportunidade dos recursos naturais (tais como madeira) e do dinheiro investido pelo governo brasileiro. Custos ambientais incluem a perda de floresta, que provoca tanto a perda de ecossistemas naturais como a emissão de gases de efeito estufa. Ecossistemas aquáticos são fortemente afetados pelo bloqueio de migração de peixes e pela criação de ambientes anóxicos (áreas sem oxigenação). A decomposição da vegetação deixada no reservatório cria água anóxica e também produz metano e fornece condições
para a metilização do mercúrio. Os Desfolhantes foram considerados por remover a floresta na área de submersão, mas os planos foram abortados no meio de uma controvérsia pública.Outra controvérsia cercou impactos de desfolhantes para suprir a rebrota ao longo da linha de transmissão. A tomada de decisões no caso de Tucuruí era praticamente sem nenhuma influência de estudos ambientais, que foram realizados simultaneamente com a construção da obra. A barragem antecede a exigência, de 1986, a uma avaliação de impacto ambiental. Apesar das limitações, os resultados das pesquisas fornecem valiosas informações para represas futuras.
O uso extenso para as relações públicas do esforço de pesquisa e das medidas mitigatórias, tais como o salvamento da fauna, era evidente. A tomada de decisões foi estreitamente ligada à influência de empresas de construção, o exército, e interesses financeiros estrangeiros no projeto da construção e do uso da energia elétrica resultante (a maioria da qual é usada para beneficiamento de industrias como o alumínio). Custos sociais e ambientais não receberam praticamente nenhuma consideração quando foram tomadas as decisões, um resultado facilitado por uma cortina de sigílo que cerca muitos aspectos do projeto. Apesar de melhorias no sistema brasileiro de avaliação de impacto
ambiental desde a época em que o reservatório de Tucuruí foi enchido em 1984, muitas características essenciais do sistema de tomada de decisões permanecem inalteradas.

A hidrelétrica de Tucuruí, criada em 1984 no Estado do Pará, continua sendo uma fonte de controvérsia. A maioria dos benefícios da energia vão para empresas de alumínio, onde apenas um montante de emprego minúsculo é gerado. Apresentado freqüentemente por autoridades como um modelo para o desenvolvimento hidrelétrico devido à quantidade substancial de energia que gera, os impactos sociais e ambientais do
projeto são igualmente substanciais. O exame do caso de Tucuruí revela uma sobre-estimativa sistemática dos benefícios e uma sub-estimativa dos impactos pelas autoridades. A Tucuruí oferece muitas lições ainda não aprendidas para o desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia.