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A Revolução dos Cocos – BRA

22 jan

A Revolução dos Cocos relata a luta do povo de Bougainville (ilha do pacífico anteriormente pertencente a Papua Nova Guiné) contra a mineradora inglesa multinacional Rio Tinto Zinc, e depois por sua independência. Os moradores da ilha expulsaram, pelo uso da sabotagem, a mineradora, depois expulsaram o exército de Papua, e depois o exército da Austrália, depois mercenários contratados. Sofreram um cerco de 7 anos,  sua população é de aproximadamente 150 mil.

Sobre embargos economicos, que inviabiliza a compra de produto com as nações vizinhas, os moradores da ilha inventaram meios alternativos para sobreviverem (energia elétrica, combústivel, comida, remédios…) tudo a partir de cocos.

Sobre a medicina, e como a necessidade é a mãe da invenção, (re)descobriram suas soluções pela terra, conseguindo curar, malária, lepra, apendicite, através de ervas, técnicas de manejo e massagens.

Também é louvável sua forma de ação, seguindo a luta se eles vem com balas, nós vamos com paus e pedras, foi o que fizeram lutaram com flechas e armas manuais inventadas por eles, tomaram os rifles das forças contrarrevolucionaras e transformaram em arma de não fogo.

Todo o resgate da humanidade através de sua própria competência, o motivo a Natureza.

A ilusão do Voto

5 set

Por Coletivo Bandeira Negra

Chegam as eleições e discursos pomposos de democracia são feitos em todas as mídias. Candidatos assumem para si o dever de administrar e legislar o bem público, tudo em nome da democracia. Querem nos fazer acreditar que o maior símbolo de realização democrática é o exercício do voto e, é aqui que a democracia aparece para a população, é só aqui que a “democracia” invade a vida social.

O sistema de representatividade, vigente nas eleições, é criado e mantido pelos grupos dominantes de nossa sociedade, os lacaios exploradores do povo que dessa forma mantêm seus próprios interesses, sejam políticos ou econômicos. É uma ilusão pensar que, um partido, aliança ou indivíduo possa, de fato, ser o mais fiel representante de milhares e milhares de pessoas. O que está em jogo é, na verdade, uma luta das elites pelo poder e o trabalhador não passa de uma mera marionete no meio dessa disputa.

Cada vez mais, a política passa a ser encarada com total descrédito pela massa. A cultura do delegacionismo – “eles farão por mim” – cria uma falsa ilusão de que a política é suja e deve ser praticada apenas pelos políticos profissionais, a “política para os políticos”.

O verdadeiro sentido das eleições não é o de levar adiante um processo democrático de inclusão e participação popular, onde a população possa aumentar dadeiro sentido das eleições não é o de levar
adiante um processo democrático de inclusão e participação nas esferas de decisão, mas o de representar um retrocesso e um distanciamento do fazer política – este é o principal objetivo dos partidos envolvidos nesse processo, o logro das eleições com o número de votos.

Os partidos de esquerda, comumente chamados de populares, hoje encostam-se no muro da moderação, tornando-se conciliadores de classe. Alimentam a falsa esperança de que uma mudança de fato poderá ocorrer, caso se elejam alguns autodenominados representantes do povo. Em vez disso, apropriam-se da manutenção de um sistema eleitoral, político, jurídico, econômico e social totalmente controlado pelas elites.

No perfil das siglas, o que se observa, apesar de muitos partidos se considerarem da situação ou da oposição, é que o quadro permanece inalterado: quem sobe e quem desce faz parte de um jogo de dominação e exploração que necessita subsistir para sua continuidade, para a manutenção de um Estado que defenda os interesses dos poderosos se apresente para o povo como democrático.

O atual regime, de usurpação e espoliação do trabalho e da natureza, busca através do sufrágio universal sua legitimidade. A adesão de suas vítimas – cidadãos (dimensão política) e trabalhadores (dimensão econômica), nos mecanismos do Estado, chancela o que este mesmo representa: a tomada de posse do Poder pela classe dominante.

Já dizia Sebastien Faure “O Estado é o guardião das fortunas adquiridas; é o defensor dos privilégios usurpados; ele é a muralha que se ergue entre a minoria governante e a multidão governada; é o dique alto e largo que põe um punhado de milionários ao abrigo dos assaltos que lhe lança a torrente agitada dos espoliados.”

Está aberta a caçada! Candidatos disputam com propostas, personalismo, estratégias de marketing, cada eleitor, ou melhor: cada voto. Pois basta olhar para o espetáculo marcado por drama, comédia, farsa, do trágico ao sentimental, para perceber sua obsessão pelo voto. E ain-
da proclamam que votar é realizar um dever sagrado. Mas sejamos justos: em alguns partidos que fazem parte desse jogo, impregnado de podridão, existem homens e mulheres honestos, honestas, que procuram de fato ajudar as suas comunidades ou os movimentos sociais que pensam representar.

No entanto, além de somarem uma reduzidíssima quantidade, encontram-se perdidos no meio de tanta corrupção e falsos acordos e, se não acabarem incorporados ao esquema fétido, estarão reduzidos à impotência.

O período eleitoral, no lugar de representar um período democrático e de participação popular, representa de fato um pequeno período onde entregamos nosso poder de fazer política, de discutir as questões da cidade, do estado ou da nação e de decidir sobre elas, àqueles que se apresentam como políticos profissionais. Permitimos que eles decidam nossas vidas por nós, decidam sobre as creches, os hospitais, as escolas, sobre nossos salários, sobre o preço da nossa comida, nos roubem através de impostos e nos façam sustentá-los em seus palácios cheios de privilégios concedidos por nós.

O sistema de eleição reflete um absurdo: acreditar que alguém possa emitir opinião e legislar sobre todas as questões: saúde, agricultura, transporte, comércio, indústria, educação, guerra, moradia, etc., e até mesmo sobre seu próprio salário (??!!). Permite que o banditismo e a corrupção façam parte do dia-a-dia da administração do bem público.

Não acreditar no jogo das eleições é apenas um passo que podemos dar, porém, para que ele seja efetivo de fato, devemos ir além e participar da vida política da cidade, de nossos bairros, de nossas escolas, hospitais, creches. Precisamos nos organizar, entre nossos pares e ir às ruas quando aumentam a tarifa de ônibus, o preço do pão, quando fecham nossas escolas, quando precisamos de mais hospitais, quando privatizam a saúde, a educação, etc.

Precisamos dar uma lição nesses políticos e esta lição vem das ruas, como demonstraram recentemente vários companheiros trabalhadores de outros países: na Argentina, após a era Menem, os panelaços derrubarm 5 presidentes em 2 semanas; na Bolívia, o povo enfrentou a privatização da água; no Equador, também foram destituídos presidentes; mais recentemente, os povos árabes demonstraram sua capacidade de luta contra os velhos ditadores que, por anos exploravam o povo. Nos anos de 2004 e 2005, em Florianópolis, fomos às ruas e logramos a
redução daquela tarifa que a prefeitura tentou impor. Isso é fazer política além do voto! A capacidade de mobilização popular gera uma força social que, se não contida pelos poderes reacionários do Estado, pode causar sérios danos à estrutura de dominação e exploração.

Nosso poder está nas ruas, nosso poder é popular. Enquanto uns votam com os de cima, nós escolhemos lutar com os de baixo, o povo, aqueles que vivem sustentando essa injusta pirâmide social que representa a nossa sociedade desigual e desumana.

Viva o Poder Popular!