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NOTA DE SOLIDARIEDADE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E REINVIDICAÇÃO DE JUSTIÇA PELA MORTE DOS COMPANHEIROS ACAMPADOS NA CHAPADA DO APODI/RN

9 maio

NOTA DE SOLIDARIEDADE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E REINVIDICAÇÃO DE

 

JUSTIÇA PELA MORTE DOS COMPANHEIROS ACAMPADOS NA CHAPADA DO

 

APODI/RN

 

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio.

Toda uma vida de luta!

Nós, movimentos sociais do campo e da cidade, igreja, sindicato e instituições que defendem a luta pela terra e pela justiça social e repudiam a terrível história de criminalização dos movimentos sociais, vimos, por meio dessa nota, manifestar nossos pesares e solidariedade ao Movimento das/os Trabalhadoras/es Rurais Sem Terra (MST) e às famílias dos companheiros de luta, que foram brutalmente assassinados nessa última terça (06), logo após ato das Jornadas de Luta do MST/RN.

 

Foi com grande consternação que recebemos a notícia dos assassinatos dos trabalhadores rurais e lutadores do MST, Francisco Lacy Gurgel Fernandes, mais conhecido como “Chacal”, e Francisco Alcivan Nunes de Paiva, conhecido como “Civan”. Na manhã do dia 06 de maio, as/os agricultoras/es sem terra do Acampamento Edivan Pinto em Apodi-RN, articularam um ato de paralisação do trânsito na BR-405, como forma de reivindicar ações efetivas para a reforma agrária popular na região e a paralisação das obras do Perímetro Irrigado da Chapada do Apodi-RN, nomeado pelo povo como “Projeto da Morte”.

 

Os companheiros Chacal e Civan regressavam para sua cidade natal, no município de Itaú-RN, com o intuito de visitar seus familiares, logo após participarem do ato de paralisação da BR-405, quando foram vítimas de disparos e executados com tiros de armas de calibre 12 e 38. Esse acampamento do MST surgiu de uma articulação unitária dos movimentos sociais da região, há cerca de oito meses, se forjando na contraposição ao Projeto da Morte, capitaneado pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas – DNOCS, que consiste na desapropriação de 13.855 (treze mil oitocentos e cinquenta e cinco) hectares para a implementação de um projeto de fruticultura irrigada, sob o comando de quatro grandes empresas, deslocando de maneira forçada cerca de 6.000,00 (seis mil agricultores), que vivem em 30 comunidades na região há cerca de cinquenta anos; a reivindicação histórica por terra para centenas de famílias sem terra da região; e a disputa de projeto para o campo brasileiro. A implantação do projeto será o fator de desarticulação da experiência agroecológica, da agricultura camponesa familiar e da democratização da terra, ao priorizar a monocultura e a exploração de grandes extensões de terra, com grande utilização de agrotóxicos, causando diversos problemas aos recursos naturais e à vida humana, sendo assim bandeira nacional de luta e da unidade dos movimentos sociais.

 

Ainda nessa conjuntura, a história brasileira mostra um cenário de criminalização da luta e impunidade alarmantes, mas que não pode prosseguir escrita com sangue de trabalhadoras/es sem que justiça seja feita!

 

Desta forma, repudiamos a violência contra os companheiros Chacal e Alcivan, lutadores da terra na região do oeste potiguar. Exigimos o máximo empenho na apuração dos fatos, responsabilização rápida dos executores, além de ações efetivas e comprometidas com a Reforma Agrária Popular urgentemente e a paralisação imediata das obras do “Projeto da Morte”, para que a Chapada continue sendo fonte de vida e trabalho para as famílias que por ela lutam. Assim, nosso luto será luta!

 

Por justiça aos companheiros que tombaram na luta!

 

Vamos juntos ecoar mais um grito:

 

Pela Chapada do Apodi!